Historicamente é possível notar a sobrecarga que as mulheres
trazem nas suas costas por serem as “culpadas” dos erros, problema, falha ou
desgraça sofrida pela humanidade. Um dos exemplos mais claros disso é
encontrado na Bíblia Sagrada, mais precisamente no capítulo três do livro
Gênesis. Mesmo sabendo que era pecado comer a fruta proibida da árvore da
ciência do bem e do mal, Eva foi convencia por uma serpente, após alegar que se
ela comesse a maçã seria igualada a Deus, no sentido de conhecer o bem e o mal
(ambiciosa essa Eva, concordam?) e para piorar a situação, entende-se que foi
ela quem fez o marido pecar dando-lhe a fruta sem ao menos falar de qual arvore
do jardim ela tinha tirado, ou seja, além de ambiciosa, a “primeira mulher” que
segundo a Bíblia esteve no mundo era maldosa e a culpada (no ponto de vista
cristão) por todas as mazelas que hoje existem.
Não é de se estranhar que no período mais importante para a
Igreja Católica devido ao seu apogeu, momento em que o poder político, as
riquezas materiais e o conhecimento eram de total domínio do clero, esse
“exemplo” bíblico foi usado para atormentar a vida das mulheres medievais. Seja
por não aceitar que algumas delas, conhecedoras das ervas medicinais,
conseguissem tratar e curar doenças que os próprios médicos da época não
conseguiam ou pelo simples fato do homem possuir desejos carnais, tesão pelas
formas femininas, elas eram consideradas feiticeiras, bruxas condenadas à morte
na fogueira por um pecado que não era seu e pelo capricho dos homens.
Dentre as punições que Deus atribuiu a Eva estava o que ela
seria de domínio do seu marido, punição esta que até hoje, vinte e um séculos
depois do nascimento de Cristo, existem mulheres que ainda pagam e encaram como
correta essa postura de submissão tanto dentro de casa, como perante toda a
sociedade. O pior de tudo é que não
somente uma religião atribui à mulher o
papel de desencaminhar o homem, e sim a grande maioria. Eu estive conversando com
um professor tendo ele me feito as seguintes perguntas: “quem disse todas essas
coisas foi realmente Deus? Ou será que foi o homem para não se igualar ou mesmo perder a posição de senhor no processo de
socialização?” a mesma pergunta eu deixo aqui para vocês refletirem. Se houve um estupro é porque ela quem
provocou, se o marido traiu é por que ela não atende todas as necessidades
dele, ela tem que falar baixo e “se dar o respeito” para não ser taxada como
VAGABUNDA, mas o que é ser vagabunda? É ser livre e dona do próprio nariz? É usar
a roupa que quiser e transar com quantos ela tiver vontade?
É por isso que a culpada é ela, porque está escrito na
Bíblia, está marcado na história, cravado na nossa cultura patriarcal e
intrínseca na sua mente programada para repetir a mesma história por mais
gerações. Agora você consegue entender porque a culpa é sempre das mulheres? Se
sua resposta for sim, caro amigo, leia novamente esse texto até que você
entenda que nada do que está escrito aqui é fundamento para aceitar esse fardo
que as mulheres continuam carregando.
OBSERVAÇÃO: Apesar de citar as escrituras bíblicas, o objetivo
do texto não é tratar de religião, mas mostrar como existem meios de
influenciar um comportamento social e naturalizar um problema que é grave, pelo
menos no meu ponto de vista.
TEXTO: EVERTON GÓES